25.2.05

O top 10 do Jotun

1. Encontros e desencontros: A filha-do-papai retorna e, bem, se as coisas continuam assim, ela vai, logo logo, provar que quem entende de cinema, na verdade, é ela. Sofia Coppola aprofunda sua investigação, iniciada com seu primeiro filme As virgens suicidas, de um cinema de climas e sensações, que deixa as ações em segundo plano. Sua mistura de solidão e sensualidade encanta principalmente por um equilíbrio mágico de sensações que não se revelam diretamente. Encontros e desencontros é um mistério delicioso; uma obra-prima pela qual podemos apenas nos apaixonar.

2. Zatoichi: Filme menor? Do Takeshi Kitano? Ok, ok, ele já pode até ter feito alguns, mas certamente não é o caso aqui. Afinal, como poderíamos chamar de filme pequeno quando Takeshi Kitano faz um samurai cego e loiro no Japão feudal? O fato é que o diretor vai cada vez mais além do cinema ‘puro’ para chegar a uma forma cinematográfica cada vez mais empolgante. Para mais detalhes ler a minha crítica no blog, uma das duas (!!!) de toda a nossa história de posts.

3. Kill Bill: Tarantino volta com o dois-em-um (ou talvez fosse melhor dizer um-em-dois) mais perfeito já visto nas telas do cinema. Se existe um filme que grita a cada quadro ‘EU SOU APAIXONADO POR CINEMA’, este é ele. E não, não existe 'parte melhor'. Kill Bill é Kill Bill, um entidade de êxtase cinematográfico de sei-lá-quantas horas. Quem discorda que me desculpe, mas simplesmente não sabe o que é ‘ser apaixonado por cinema’.

4. Os incríveis: Antes de mais nada, quem chama esse filme de ‘o novo desenho da Pixar’ não tem idéia de que ele foi feito por Brad Bird, outrora diretor de Os Simpsons e também de uma das mais perfeitas sátiras já feitas à paranoia americana, o longa de animação O gigante de ferro. E, bem, aqui ele faz uma das melhores análises do sistema herói-vilão tão vital para a sociedade americana. Tarantino que me desculpe, a cena do Super-Homem é boa, mas quem quiser se aprofundar em, bom, quase todas as questões relativas à construção da mitologia dos super-heróis, está intimado a ver e rever Os incríveis, fácil fácil o melhor que a animação mainstream do novo milênio nos deu até hoje.

5. O prisioneiro da grade de ferro: Um dos poucos filmes nacionais importantes exibidos em 2004 nos cinemas, O prisioneiro parece compensar todas as porcarias a que fomos submetidos ao longo do ano. Não é a idéia de colocar as câmeras nas mãos dos detentos que é genial. Genial é o que os detentos fazem com suas ‘câmeras na mão e idéias na cabeça’. Um dos filmes mais profundamente humanos, reveladores e lúcidos já realizados sobre qualquer assunto.

6. Antes do por do sol: Talvez filmar uma conversa de uma hora e meia não seja, em si, uma idéia original, mas o que o Linklater fez com esse filme é. Talvez a conversa seja um pouco ‘genial’ demais, mas o que importa é que ele apenas faz todos os nossos tolos pensamentos relativos ao eterno dilema dos relacionamentos não soarem tão tolos assim. O que o trio de protagonistas (diretor-ator-atriz) faz aqui é tarefa das mais impossíveis: tratar do íntimo de forma grandiosa sem sair do íntimo. E mais, mostrar que a tolice dos nossos sentimentos é da maior genialidade.

7. Homem Aranha 2: De certa forma esse filme é até uma decepção, mas só porque o primeiro foi uma das adaptações de heróis de quadrinhos para o cinema mais felizes de todos os tempos. Ainda assim, a série do Peter Parker já é um achado pelo simples fato de se colocar 200 milhões de dólares na mão de um diretor de filmes B apaixonado por cinema. Nem todo mundo consegue ser Tarantino 100% do tempo, mas só a sequência dos tentáculos tomando controle sobre o Doutor Octopus no hospital é prova definitiva do vigor e da paixão do Sam Raimi.

8. Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban: Aqui temos o caso contrário, onde a série do bruxinho adolescente dá um salto gigantesco em qualidade em relação aos outros filmes. Menos devoto do livro que o diretor anterior, o mexicano Alfonso Cuarón consegue contar a história toda e mergulhar no que significa de verdade a vida de crianças estudando em um colégio. Não importam os poderes mágicos, os monstros e as reviravoltas malucas, mas sim o fato de que os personagens de Hogwarts estão, pela primeira vez, vivos de verdade na tela grande.

9. Ligado em você: Confesso que fui ver esse filme com um pé atrás, mas o simples fato é que há tempos que eu não ria assim no cinema. Os irmãos Farrely voltam com força total, com seu humor ‘politicamente incorreto’ que na verdade é mil vezes mais honesto que 99% das besteiras que se dizem engraçadas por aí. Ligado em você não chega a ser um Debi e Lóide, mas ainda assim é uma verdadeira aula das potencialidades do que é ser engraçado no cinema.

10. Garotas do ABC: Um dos mais prolíficos e importantes diretores do cinema nacional teve uma passagem injustamente rápida pelas nossas telonas. Garotas do ABC pode não ser a obra-prima do Carlos Reichenbach, mas ainda assim é exemplar na continuidade da sua investigação de um cinema ao mesmo tempo popular e extremamente pessoal. Fica a tristeza pela divulgação criminosa feita em relação ao filme, mas também o gosto de uma obra que pulsa com a força de um diretor que vive o Cinema como nenhum outro no Brasil.

Top 10 2004 Cinema

Bom, como a gente já tá no final de Fevereiro, e tudo que é gente normal (e anormal também) já fez toda espécie de top 10 por aí, pensei que a gente devia colocar um postzinho besta explicando que a gente atrasou e tal, porque somos muito requisitados, ocupados e que nossos fãs não nos deixam em paz e apesar de estarmos tentando postar essa porcaria desde o fim do ano não conseguimos. Fora o fato de que, se eu não escrever isso, meus amiguinhos de blog não vão se manifestar, visto o impressionante número de contribuições de cada um deles.

Se bem que, pensando bem, não vou dar explicação nenhuma. Quem quiser que use sua imaginação e chegue a uma conclusão do porque de não termos feito essa simples tarefa até agora.

E agora, o que todos, sem exceção, queriam saber...